A chegada do Avalon… (Prólogo)

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De tempos em tempos, os planetas extinguiam a raça superior que lhes habitavam, mesmo que isso, em sua maioria, fosse obra do acaso. Essas extinções marcavam a chegada de um Avalon, uma reunião entre todos os seres místicos existentes em uma Era. Apesar de reunir todas as entidades existentes, o Avalon não significava muita coisa para nenhum dos seres místicos, afinal, eles eram eternos, e qualquer coisa que não interferisse nas suas vidas egoístas e infindáveis, não tinha significado algum.

Já havia se passado algum tempo, desde que a raça superior do planeta NeoSat foi obliterada por uma chuva de cometas azuis. Sua população foi reduzida 10 míseros Satianos, e como sua reprodução demorava no mínimo 11 anos, incluindo o tempo que o macho demorava em responder um questionário com 50 cláusulas, e o tempo que o pai da fêmea demorava comparando as respostas com as de outros pretendentes, já era fato que aquela espécie não iria durar muito mais tempo.

Naturalmente, um planeta azul chamado GeoZak, estava prestes a receber um bando de asteroides furiosos, vindo numa velocidade tão esmagadora, que já era previsto um Avalon exatamente naquele instante. Farix, o mensageiro, a entidade mais rápida de todas as eras, já havia entregado o “Chamado de Avalon” a todas as entidades e exigido que comparecessem com extrema urgência. As entidades nem se deram de conta, mas nunca houve um intervalo de tempo tão grande entre uma reunião e outra.

Ao chegar a Mirion, o  único lugar onde era possível comportar todas as vozes e todos os egos das divindades, Gakio, a divindade  que ficava responsável por manter a ordem nas reuniões  e certificar-se de que todos estavam presentes, tratou de cumprir as suas obrigações. Já no primeiro instante sentiu falta de Impéria, a bruxa que adorava passar suas imensuráveis horas brincando de manipular o tempo, e foi logo gritando seu nome várias vezes até a bruxa aparecer. Impéria já havia chegado antes mesmo do próprio Gakio, mas se manteve quieta, tão quieta que ninguém havia percebido que ela estava admirada com o planetinha azul que estava prestes a receber um apanhado de pedras espaciais. Percebendo o imenso equivoco, Gakio se aproximou da bruxa e lhe pediu desculpas pela grande algazarra. A bruxa, com uma aparência distante, não havia se incomodado nenhum pouco, e se quer atentou-se ao fato de que o encarregado de manter a ordem durante o Avalon, era a entidade que mais fazia balbúrdias.

Para que pudesse iniciar de fato a reunião, Gakio pediu a Houndor que tocasse a trombeta de Avalon, seguindo assim a tradição.Mirion estava lotada por entidades, e a primeira delas a dizer algo foi Tara, a fada da ilusão, e foi direto ao ponto, perguntando a todos, qual era o planeta responsável por aquela reunião. Essa era a respostas que todos queriam saber, mas ninguém se importava ao ponto de perguntar. Antes que o anfitrião respondesse, Impéria levantou a mão. Gakio deu permissão para que a bruxa pudesse falar, foi então que ela disse vagarosamente que o planeta era GeoZak e que os asteroides não eram o real motivo da reunião. Todos ficaram abismados por outro alguém, além do próprio Gakio, saber dessas informações. Fuzo, o feiticeiro da agonia, descreveu minuciosamente o planeta e os Geozakeos, habitantes a beira da extinção. Ao fim da sua explicação, perguntou o porquê da bruxa ter ficado em Mirion desde a última reunião. Todos os seres celestes olharam assustados. Gakio então percebeu que a bruxa estava lá muito antes dele, só não conseguia entender como ele não conseguiu percebê-la, evitando assim todo aquele transtorno.  A bruxa prontamente respondeu que simplesmente tinha perdido o tempo. Todos caíram na gargalhada e finalmente começaram a assistir ao fim dos Geozakeos.

A atenção de todas as entidades estava voltada para Geozak. Os meteoritos se aproximavam cada vez mais do planetinha azul, até que foram atingidos por um corpo celeste, desviando-se do seu destino final. Todos se olharam no mesmo instante, e as expressões em suas faces eram de repleta perplexidade e monotonia. Dion, a entidade do som, perguntou docemente sobre o porquê da reunião, já que os meteoritos acabaram de desviar a sua rota e passar bem longe de Geozak. Impéria, que ainda estava entretida com o planeta, nem percebia a confusão que acabara de se formar. Gakio, prontamente alertou a todos, perguntou-lhes se haviam esquecido o que Impéria tinha comentado, relembrou que os meteoritos não era a coisa com que os Geozakes tinham que se preocupar. Fuzo acrescentou que o próprio povo Geozake havia sentenciado a sua aniquilação. Ao ouvirem as explicações, as entidades não pararam de cochichar entre si, todos preferiam ver a extinção de toda uma raça por bando de meteoritos.

No meio de tanta balbúrdia nenhuma voz era totalmente compreendida. Jinnza, o mestre dos truques, sugeriu  pela quinta vez que fosse feito um desafio, esperando que o evento parecesse mais atraente. Todas as entidades haviam concordado com a tal sugestão, mas se perguntavam de que forma qualquer ser superior ali presente poderia ser provado.  Fuzo logo se dispôs a propor algo, e sem hesitar, sugeriu de forma pretensiosa que alguém se oferecesse para tentar resolver o problema de Geozak. A algazarra logo retornou, e aparentemente ninguém tinha dado a mínima para a proposta. Fuzo se manteve firme, sabia que as entidades não se importavam nem um pouco se quer com aquele planeta, mas sabia também, que alguém cedo ou tarde iria entrar no seu jogo. Jinnza adorava todo o tipo de desafios, jogos, charadas, o que quer que fosse, e não queria de toda a sua alma que outra coisa fosse proposta. Após pensar bastante em meio aquela bagunça, pulou sobre a mesa, derrubou alguns convidados e gritou que tinha a solução. O acidente serviu para chamar atenção de todos, por mais que alguém não quisesse olhar, já havia sido desconcentrado pelo ocorrido.

O amante dos desafios propôs que alguém se candidatasse para tentar resolver o problema de Geozak, mas que antes de tudo, abdicasse de uma grande parcela dos seus poderes para poder passar pela provação. Como de costume a barulheira voltou, nenhuma das entidades havia sido convencida verdadeiramente pelas propostas e preferiam contar vantagens uns com os outros. Gakio já conhecia bem as entidades, e tinha certeza que a qualquer instante alguém iria se retirar de Mirion. A retirada de uma simples criatura, causaria assim um efeito cascata, deixando o Avalon, pela primeira vez em todas as Eras, sem público. Fuzo e Jinnza perceberam a frustração no rosto de Gakio, mas já haviam feito o máximo possível e não tinham mais nenhuma ideia.

Sem que ninguém percebesse, uma mão se levantou no grande salão de Mirion e em seguida uma voz suave sucumbiu todos os outros sons a sua volta. Era Impéria, e estava se oferecendo para participar do desafio. A pobre bruxa estava tão envolvida na observação do tal planeta, que só ficou sabendo que alguém havia proposto tal desafio, no instante em que Jinnza bagunçou todo o salão para dizer que tinha encontrado uma solução. Todos se mantiveram pela primeira vez em silêncio. A expressão do rosto de Gakio havia mudado subitamente, a proposta de um desafio parecia finalmente ter animado mais alguém. Fuzo se manteve inabalado, já Jinnza, esse sim, vibrava de alegria. Gakio, aliviado, perguntou então se todos estavam de acordo, as entidades então balançaram suas cabeças imortais, num ato de não discordância. Ninguém parecia empolgado o suficiente, mas já que não haveria nenhuma colisão divertida com GeoZak, ver como a bruxa do tempo se sairia não seria a pior coisa.

Dada a oportunidade, Jinnza então explicou as 3 únicas regras do desafio:

Regra nº 1: O desafiante deverá perder grande parte do seus poderes, antes de entrar em contato com o planeta em questão.
Regra nº 2: O desafiante pode levar quanto tempo for necessário para resolver o problema, devendo comunicar-lhes sobre o final do desafio, obtendo seus poderes de forma completa.
Regra nº 3: Não existe nenhum tipo de recompensa ou punição, independentemente do resultado do desafio.

Apesar de não transparecer, Impéria estava demasiado contente, não ligava a mínima se o caso de Geozak  não poderia ser solucionado, ou se a raça superior daquele planetinha azul poderia chegar ao fim. Impéria só queria, de fato, conhecer mais de perto aquele planeta azul que tanto lhe chamava atenção, e o desafio era o motivo que ela estava esperando para dar o primeiro passo, mesmo que lhe custasse temporariamente uma parcela dos poderes.

Para dar início ao desafio, Jinnza reuniu um pouco do poder de todas as entidades para enfeitiçar o bracelete que anularia parcialmente os poderes da bruxa. O bracelete enfeitiçado foi entregue a doce bruxa, que não hesitou em colocá-lo, adquirindo outra aparência e partindo rumo a Geozak.